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A Alsácia não é só Gewürztraminer: já ouviu falar de Sélestat e de sua Biblioteca Humanista?
Ex vetustis codicibus veritatem eruere conatus sum.(Procurei extrair a verdade dos antigos códices.) — Beatus Rhenanus Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há regiões que o turismo simplifica e há culturas que a pressa empobrece. A Alsácia, para muitos viajantes apressados, resume-se à doçura especiada do Gewürztraminer, às fachadas enxaimel e ao postal outonal de vinhedos disciplinados. Nada há a censurar no vinho — que é nobre e generoso —, mas a civilização não fermenta apenas
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17 de fev.4 min de leitura
Advogar é habitar o dissenso: o Dicionário de Plantin como mapa do conflito
“Não se pode entender os conceitos como algo indefinível que habita um mundo inalcançável, mas como instrumentos de trabalho que devem nos ajudar a analisar textos, casos, problemas de argumentação.”— Christian Plantin, entrevista à Revista EID&A – Educação, Linguagem e Argumentação , 2025 Por Glênio S Guedes ( advogado ) O advogado não habita o silêncio. Habita o conflito. Seu território não é a serenidade das fórmulas, mas a tensão dos sentidos. Onde há foro, há dissenso; o
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11 de fev.3 min de leitura
Antes do português, havia vozes: a lenta emergência de uma língua
“As línguas não aparecem prontas; vão-se fazendo.”— Paul Teyssier Em homenagem ao saudoso mestre Horácio Rolim de Freitas Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há algo de sedutor na ideia de que as línguas “nascem”. A imagem é confortável: um dia não havia português; no outro, ele surgiu, quase como um decreto régio ou um milagre filológico. Mas a história das línguas não é feita de datas inaugurais. É feita de continuidades, transformações e deslocamentos lentos. A língua portugu
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10 de fev.3 min de leitura
Aprender a falar ‘pacientês’: a formação do médico como aprendizado de um genérico
“O tamanho do paradoxo, na medicina ocidental, está em que o meu corpo tem que ser ‘meu’ em que pese seu estatuto social de objeto eminentemente público, e, portanto, suscetível de inúmeras formas de intervenção e manipulação, das mais grotescas às mais sutis: inclusive e principalmente no âmbito discursivo da sua construção como singularidade ou, justamente, na retenção de qualquer traço que seja na afirmação dessa singularidade.”(Ylka, 2010) Por Glênio S Guedes ( advogado )
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7 de fev.9 min de leitura
Criptobiose Moral: Como Viver Sem Pensar
Microscópicos no argumento, gigantes na teimosia. Artigo homenageando o óbvio : a Ciência! Por Glênio S Guedes ( advogado ) Comecemos pelo fim — método honesto quando o assunto é sobrevivência. Quando os fatos se despedem discretamente, quando a realidade fecha a porta sem bater, certas criaturas permanecem. Não por inteligência superior, mas por uma virtude mais simples e mais sólida: a resistência obstinada ao aprendizado . Os naturalistas contemporâneos descrevem com legít
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31 de jan.3 min de leitura
Como pensa o jurista alemão: o fato bateu à porta, a categoria perguntou quem era
Nicht der Sachverhalt entscheidet, sondern seine rechtliche Einordnung. (Não é o fato que decide, mas a sua qualificação jurídica.) Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução – quando o direito não começa com a história Juristas formados na tradição romano-latina tendem a iniciar o raciocínio jurídico por aquilo que aconteceu. Um fato relevante, uma conduta humana, uma omissão, um dano. A partir daí, constrói-se a narrativa e, só em seguida, busca-se a norma aplicável. O
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29 de jan.4 min de leitura
Pensar dá trabalho, dói — polarizar dá like
“A convicção absoluta costuma ser inimiga da inteligência.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há fenômenos que não se impõem pelo estrépito, mas pelo desgaste silencioso que produzem. A polarização é um deles. Não se trata apenas de uma intensificação dos desacordos, o que seria natural em sociedades plurais, mas de uma alteração mais profunda no modo de pensar, julgar e argumentar. Nunca foi tão abundante a opinião; nunca foi tão escasso o pensamento. Cumpre, antes de tudo, d
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25 de jan.3 min de leitura
Quem ainda acredita que o eleitor decide racionalmente?
“Durante muito tempo, a democracia foi o conflito racionalizado de interesses. Hoje, ela é o confronto desenfreado das paixões.” — Pierre Rosanvallon Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. A persistência de uma crença confortável Há algo de intelectualmente confortável — quase reconfortante — na maneira como ainda se explica o voto democrático. Apesar da recorrência de vitórias eleitorais de líderes abertamente populistas, retoricamente agressivos e institucionalmente corrosivos
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18 de jan.4 min de leitura
Mais Poetas que Juízes? O Sismógrafo Retórico como Novo Método da Ciência do Direito
Por Glênio Sabbad Guedes ( advogado ) "A primeira coisa que tentei fazer foi parar de interpretar textos jurídicos literalmente. Com a retórica em mãos, comecei a ver nos escritos e discursos jurídicos uma espécie de atuação teatral, mais exatamente : um comportamento dirigido, embora muitas vezes rotineiro, com o qual atores profissionais apresentam fatos e eventos para uma plateia. Isso muda a perspectiva"— Katharina Gräfin von Schlieffen A dogmática jurídica tradicional en
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18 de jan.4 min de leitura
A Busca da Reta Razão: Breve Ensaio sobre a Certeza
O erro, meus caros, pode ser um mestre severo, mas é, não raro, o mais precioso dos pedagogos. Por Glênio S Guedes ( advogado ) Vivemos tempos de algazarra informativa. Nunca o homem teve à sua disposição tamanho cabedal de dados e, paradoxalmente, nunca se viu tão desnorteado quanto à veracidade dos fatos. Todos almejam ter razão — do latim ratio , que nos remete à medida, ao cálculo, à faculdade de julgar com acerto. Mas como distinguir a verdade lídima do mero engodo ou da
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12 de jan.3 min de leitura
O mundo não dói. O juízo dói.
Estoicismo prático para um tempo de reatividade permanente “Sofremos mais na imaginação do que na realidade.”— Sêneca , Cartas a Lucílio Por Glênio S Guedes ( advogado ) Vivemos num tempo em que tudo parece ofensivo, urgente e insuportável. Uma frase mal colocada, uma decisão administrativa, uma derrota profissional, um comentário em rede social — tudo se converte rapidamente em sofrimento psíquico, indignação moral ou ressentimento. O mundo, dizem, tornou-se mais agressivo.
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10 de jan.3 min de leitura
Platão vetado no Texas: neandertalizamos de vez — ou, pior, infraneandertalizamos?
Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há acontecimentos que funcionam como sismógrafos culturais . Eles não criam terremotos; apenas registram, com atraso mínimo, abalos profundos que já vinham se formando no subsolo da vida intelectual. A orientação administrativa para que um professor universitário retirasse textos de Platão de uma disciplina na Texas A&M University é um desses sinais. Não se trata de um conflito pontual sobre currículo nem de uma querela burocrática. Trata-se
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9 de jan.4 min de leitura
Eine rechtswidrige Handlung gegen eine illegitime Regierung: dennoch bleibe ich in dubio pro Recht
„Was den Krieg vom Mord trennt, ist das Recht.“ — Ehemaliger Anwalt der Streitkräfte der Vereinigten Staaten Von Glênio S. Guedes, brasilianischer Rechtsanwalt Es gibt illegitime Regierungen. Es gibt autoritäre Regime. Es gibt manipulierte Wahlen, systematische Repression, erzwungene Exile und Staaten, die von einer Machtlogik beherrscht werden, die sich längst vom Gemeinwohl entfernt hat. All dies rechtfertigt jedoch nicht die Suspendierung des Rechts als Maßstab staatlichen
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4 de jan.3 min de leitura
Quando o sorvete deixa de ser sorvete: semântica, interpretação e decisão tributária no CARF
Por Glênio S Guedes ( advogado ) A recente decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que afastou a incidência de PIS e Cofins sobre as casquinhas, sundaes e milk-shakes comercializados pelo McDonald’s ao classificá-los como “bebidas lácteas de alta viscosidade”, e não como “gelados comestíveis”, constitui um caso paradigmático para a teoria da interpretação no Direito Tributário. Mais do que uma controvérsia fiscal de elevada monta econômica, o julgamento
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20 de dez. de 20254 min de leitura
A comunicação é um milagre de inferência, não apenas de decodificação
Por Glênio S. Guedes ( advogado ) Existe uma ilusão persistente sobre como a linguagem funciona, uma que poderíamos chamar de "modelo do telégrafo". Segundo essa visão intuitiva, comunicar seria empacotar um pensamento em palavras, enviá-lo através do ar (ou da escrita) e aguardar que o interlocutor desembrulhe o pacote do outro lado, extraindo exatamente o mesmo conteúdo que foi enviado. Se esse modelo fosse verdadeiro, a comunicação humana seria um processo mecânico de codi
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20 de dez. de 20255 min de leitura
Protoindo-europeu: o português é língua-parente do farsi — você sabia?
Por Glênio S Guedes ( advogado ) À primeira vista, a ideia soa quase como uma brincadeira erudita. O português, língua neolatina falada no Atlântico Sul, e o farsi (ou persa), idioma do planalto iraniano, separados por continentes, religiões, histórias e alfabetos, seriam parentes? A resposta, surpreendente para muitos, é sim . E a explicação não está em contatos recentes, nem em empréstimos culturais diretos, mas em uma história muito mais profunda, que começa há cerca de se
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18 de dez. de 20253 min de leitura
Art. 489 do CPC como rejeição explícita do logos-ilusão
Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução: fundamentar não é ornamentar A exigência constitucional e processual de fundamentação das decisões judiciais jamais foi uma cláusula meramente formal. O art. 93, IX, da Constituição Federal, aprofundado e densificado pelo art. 489 do CPC/2015, consagra uma concepção forte de fundamentação: decidir é justificar discursivamente diante de um outro, e não apenas declarar um resultado investido de autoridade. Essa concepção, contud
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16 de dez. de 20254 min de leitura
A Palavra é Signo e Fragmento Conceptual do Mundo. Temos consciência disso?
Autor: Glenio S. Guedes ( advogado ) «Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo.» — Almada Negreiros I. A respiração da palavra Há livros que não se abrem: abrem-nos. O de Mário Vilela é desses. Nele reencontramos algo que, por demasiado íntimo, quase esquecemos: a palavra respira . E cada palavra que respira o faz com o ar do mundo — e com o nosso. Não há gesto humano que não esteja já impregnado de
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9 de dez. de 20253 min de leitura
Minha Palavra do Ano: Inominável
Por Glênio S. Guedes ( advogado ) 1. O ritual anual das palavras Há algo de profundamente civilizatório no gesto de eleger uma “Palavra do Ano”. É um mecanismo simbólico de autoconsciência: ao nomear, tentamos domesticar a realidade; ao escolher uma palavra, buscamos capturar um espírito do tempo — o Zeitgeist — que escorre veloz demais. Nos últimos anos, porém, esse ritual se tornou menos farol e mais espelho quebrado. Sérgio Rodrigues, em sua coluna na Folha de S. Paulo ,
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4 de dez. de 20253 min de leitura
O Direito opera com razões, não com sinapses
“O ser humano não é livre no sentido metafísico absoluto, mas é livre no sentido argumentativo, linguístico e jurídico.” Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há, em nosso tempo, uma tendência inquietante: a de tentar reduzir o humano ao biológico, o pensamento ao processamento neural, e o Direito a um algoritmo sem densidade. A neurociência, com todo o seu valor, às vezes seduz pela promessa de explicar a consciência e a escolha por vias moleculares. A tecnologia, por sua vez, of
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28 de nov. de 20255 min de leitura
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