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O Deus do Vinho em Os Lusíadas: as artimanhas de Baco na maior epopeia da língua portuguesa
“Cesse tudo o que a Musa antiga canta,Que outro valor mais alto se alevanta.”— Os Lusíadas, Canto I Por Glênio S Guedes ( advogado ) I — Um deus de taça na mão e sobrancelha franzida Convém começar com uma pequena surpresa literária. Em Os Lusíadas , a maior epopeia da língua portuguesa, repleta de mares bravios, gigantes, ninfas e máquinas do mundo, o grande antagonista da viagem portuguesa não é Marte, deus da guerra, nem Netuno, senhor dos oceanos. É Baco . Sim, o deus do
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15 de mar.4 min de leitura
E se perguntássemos a Camões por que ainda devemos lê-lo?
Uma entrevista impossível com o poeta que viu mais mundo que muitos historiadores. “Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandre e de Trajano A fama das vitórias que tiveram.” — Luís de Camões , Os Lusíadas , Canto I Por Glênio S Guedes ( advogado ) Uma entrevista impossível com Camões Se o leitor me permitir uma pequena indiscrição metodológica, devo confessar que entrevistar poetas mortos exige certos recursos que os manuais
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15 de mar.4 min de leitura
Que tipo de jurista-leitor é você?Viajante, ermitão da torre ou humilde traça de biblioteca?
“A literatura não depende de leitores ideais, mas apenas de leitores suficientemente bons.”— Alberto Manguel Por Glênio S Guedes (advogado) I. Uma pergunta incômoda (e talvez necessária) Todo jurista lê. Pelo menos em teoria. A profissão exige isso. Códigos, leis, regulamentos, acórdãos, pareceres, tratados, súmulas, votos vencidos, votos vencedores, votos que ninguém sabe muito bem de onde vieram. Há papel — físico ou digital — suficiente para alimentar uma pequena floresta.
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15 de mar.6 min de leitura
A jurista que ensinava Direito com poesia
Uma reflexão sobre sensibilidade, linguagem e justiça a partir da obra poética da Professora Beatriz Dutra “Fui acordada por um verso que rugia em mim e urgia nascer.”— Beatriz Dutra Por Glênio S Guedes ( advogado ) À professora Beatriz Dutra, que ensinou Direito com a clareza da razão e poesia com a delicadeza da alma. Com gratidão de um antigo aluno da turma de 1985, em memória das aulas que nos ensinaram que compreender o Direito é, antes de tudo, compreender o humano. 1.
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8 de mar.5 min de leitura
Perguntamos mal porque já chegamos cheios de respostas
“Uma pergunta verdadeira nasce da curiosidade, não da vontade de confirmar uma opinião.”— Elke Wiss, Café com Sócrates Por Glênio S Guedes (advogado) 1. A curiosa abundância de respostas Vivemos uma época curiosa. Nunca se falou tanto e nunca se perguntou tão pouco. As respostas multiplicam-se com uma facilidade quase prodigiosa. Opiniões aparecem a todo instante, prontas, completas, dotadas de uma convicção admirável. Em poucos minutos alguém explica a política internacional
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8 de mar.3 min de leitura
Defesa Nacional Não É Gasto — É Seguro de Existência
Modernizar Agora ou Aprender Pela Derrota no Século da Guerra Algorítmica "Os fortes fazem o que podem; os fracos sofrem o que devem."— Tucídides Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há despesas que aliviam o presente e há investimentos que garantem o futuro. Confundir uma coisa com a outra costuma ser o primeiro passo das nações que, confiantes na própria cordialidade, descobrem tarde demais que o mundo não partilha de seus bons sentimentos. Defesa nacional não é gasto. É seguro
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2 de mar.4 min de leitura
Da captura do orçamento público por interesses privados: por que ninguém mexe com os supersalários?
¨O orçamento público é a biografia material de um país. Se a biografia está sendo escrita por interesses privados, não é só o dinheiro que está em disputa. É o sentido do comum. É a ideia de república. É o pacto de convivência¨ Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há um país oficial — esse de discursos, solenidades e fotografias com bandeira ao fundo — e há um país real, que se revela sem cerimônia no lugar onde a sinceridade costuma morar: o contracheque. No país oficial, todos
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2 de mar.5 min de leitura
O líder é sintoma: o que a permanência de Trump revela sobre nós
“A pergunta não é ‘como ele’. É ‘por que nós’.” Por Glênio S Guedes (advogado) Há um equívoco muito humano — e, por isso mesmo, muito perigoso — em tratar certos líderes como acidentes. A palavra “acidente” serve para consolar: sugere que a coisa aconteceu apesar de nós, que o episódio é externo, que basta esperar o tempo corrigir o desvio e a estrada volta ao seu traçado moral. Mas a política não é meteorologia. Não “cai” um Trump como cai uma chuva. Ele se forma , se adensa
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2 de mar.4 min de leitura
O ECLIPSE DO SER NO DIREITO CONTEMPORÂNEO: DA ATROFIA DA IMAGINAÇÃO À DITADURA DO ALGORITMO
Por Glênio S Guedes (advogado) Vivemos um tempo de perigosa e desoladora secura espiritual no seio da Ciência do Direito. Se é verdade, como ensina o mestre Pinharanda Gomes, que a consciência gnoseológica é o ponto onde o Ser e o Pensar se fundem em saber clarividente, cumpre-nos reconhecer que o jurista moderno tem preferido as sombras do "estar" provisório ao esplendor do "ser" substantivo. O Direito, hoje, padece de um duplo exílio: o da imaginação simbólica , que já não
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28 de fev.3 min de leitura
O pedido da OAB: encerrar não é ceder, é cumprir a Constituição
O inquérito que virou ambiente (do procedimento ao clima institucional) Por Glênio S Guedes ( advogado ) Sete anos já não é “inquérito”: é relacionamento estável. E relacionamento estável com o poder punitivo do Estado deveria exigir, no mínimo, fidelidade à Constituição . Quando a investigação deixa de ser um instrumento com começo, meio e fim — e passa a funcionar como um “ambiente” permanente , com objeto que se expande e horizonte que se dilui — o problema deixa de ser a
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27 de fev.5 min de leitura
DO CRIVO QUÁDRUPLO: QUANDO REALMENTE TEMOS RAZÃO?
"A verdade não é um troféu estático que se guarda na algibeira; é um exercício dinâmico de depuração constante." Por Glênio S Guedes ( advogado ) Em tempos de vertigem informativa, onde a opinião mais gritante tantas vezes sufoca o argumento mais sóbrio, impõe-se ao homem de pensamento uma pergunta fundamental: como posso ter a certeza de que não estou enganado? Como saber se a minha "verdade" é ouro de lei ou mero pechisbeque intelectual? A resposta não reside na arrogância
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26 de fev.3 min de leitura
Quando “Regulate” não é “Tax”: pequena lição de latim constitucional
“The Framers did not vest any part of the taxing power in the Executive Branch.” - trecho da decisão da Suprema Corte dos EUA sobre as tarifas de Trump Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há palavras que parecem inocentes até que alguém lhes exija mais do que podem dar. “Regulate” é uma delas. Palavra respeitável, de tradição administrativa sólida, afeita à disciplina dos fluxos, às molduras normativas, aos ajustes técnicos. O que ela não é — como a Suprema Corte americana agora
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21 de fev.3 min de leitura
Ontologia Vulcânica: Santorini entre o Fogo de Heráclito e a Forma de Aristóteles
“Este cosmos, o mesmo para todos, nenhum dos deuses nem dos homens o fez; mas sempre foi, é e será: fogo eterno, acendendo-se com medida e apagando-se com medida.” — Heráclito Por Glênio S Guedes ( advogado ) Às brumas elegantes da Serra de Petrópolis, aos amigos de Itaipava — onde o vinho encontra altitude, conversa e amizade — dedico estas reflexões sobre o fogo, a forma e o ser. 🍷🌄 Há ilhas que produzem vinho. Santorini produz pensamento. Não se trata apenas de uma pais
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18 de fev.4 min de leitura
A filologia renana e o método de Beatus Rhenanus
Ex vetustis codicibus veritatem eruere conatus sum.(Procurei extrair a verdade dos antigos códices.) — Beatus Rhenanus Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há nomes que o Renascimento consagrou com tintas luminosas — Leonardo, Erasmo, Lutero — e há outros que trabalharam à meia-luz das bibliotecas, inclinados sobre códices gastos pelo tempo. Beatus Rhenanus pertence a esta segunda linhagem: menos ruidosa, mas talvez mais decisiva. Se quisermos compreender a filologia renana, prec
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17 de fev.3 min de leitura
A Alsácia não é só Gewürztraminer: já ouviu falar de Sélestat e de sua Biblioteca Humanista?
Ex vetustis codicibus veritatem eruere conatus sum.(Procurei extrair a verdade dos antigos códices.) — Beatus Rhenanus Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há regiões que o turismo simplifica e há culturas que a pressa empobrece. A Alsácia, para muitos viajantes apressados, resume-se à doçura especiada do Gewürztraminer, às fachadas enxaimel e ao postal outonal de vinhedos disciplinados. Nada há a censurar no vinho — que é nobre e generoso —, mas a civilização não fermenta apenas
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17 de fev.4 min de leitura
Advogar é habitar o dissenso: o Dicionário de Plantin como mapa do conflito
“Não se pode entender os conceitos como algo indefinível que habita um mundo inalcançável, mas como instrumentos de trabalho que devem nos ajudar a analisar textos, casos, problemas de argumentação.”— Christian Plantin, entrevista à Revista EID&A – Educação, Linguagem e Argumentação , 2025 Por Glênio S Guedes ( advogado ) O advogado não habita o silêncio. Habita o conflito. Seu território não é a serenidade das fórmulas, mas a tensão dos sentidos. Onde há foro, há dissenso; o
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11 de fev.3 min de leitura
Antes do português, havia vozes: a lenta emergência de uma língua
“As línguas não aparecem prontas; vão-se fazendo.”— Paul Teyssier Em homenagem ao saudoso mestre Horácio Rolim de Freitas Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há algo de sedutor na ideia de que as línguas “nascem”. A imagem é confortável: um dia não havia português; no outro, ele surgiu, quase como um decreto régio ou um milagre filológico. Mas a história das línguas não é feita de datas inaugurais. É feita de continuidades, transformações e deslocamentos lentos. A língua portugu
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10 de fev.3 min de leitura
Aprender a falar ‘pacientês’: a formação do médico como aprendizado de um genérico
“O tamanho do paradoxo, na medicina ocidental, está em que o meu corpo tem que ser ‘meu’ em que pese seu estatuto social de objeto eminentemente público, e, portanto, suscetível de inúmeras formas de intervenção e manipulação, das mais grotescas às mais sutis: inclusive e principalmente no âmbito discursivo da sua construção como singularidade ou, justamente, na retenção de qualquer traço que seja na afirmação dessa singularidade.”(Ylka, 2010) Por Glênio S Guedes ( advogado )
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7 de fev.9 min de leitura
Criptobiose Moral: Como Viver Sem Pensar
Microscópicos no argumento, gigantes na teimosia. Artigo homenageando o óbvio : a Ciência! Por Glênio S Guedes ( advogado ) Comecemos pelo fim — método honesto quando o assunto é sobrevivência. Quando os fatos se despedem discretamente, quando a realidade fecha a porta sem bater, certas criaturas permanecem. Não por inteligência superior, mas por uma virtude mais simples e mais sólida: a resistência obstinada ao aprendizado . Os naturalistas contemporâneos descrevem com legít
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31 de jan.3 min de leitura
Como pensa o jurista alemão: o fato bateu à porta, a categoria perguntou quem era
Nicht der Sachverhalt entscheidet, sondern seine rechtliche Einordnung. (Não é o fato que decide, mas a sua qualificação jurídica.) Por Glênio S Guedes ( advogado ) 1. Introdução – quando o direito não começa com a história Juristas formados na tradição romano-latina tendem a iniciar o raciocínio jurídico por aquilo que aconteceu. Um fato relevante, uma conduta humana, uma omissão, um dano. A partir daí, constrói-se a narrativa e, só em seguida, busca-se a norma aplicável. O
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29 de jan.4 min de leitura
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