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Brasil e o estado de exceção: a desertificação do sentido e a ascensão da absurdidade semântico-pragmática
“Quando o direito já não distingue, a linguagem já não descreve — apenas legitima.” Por Glênio S Guedes (advogado) Há momentos na história das instituições em que a crise não se apresenta sob a forma estridente da ruptura, mas sob a aparência serena — e por isso mesmo mais perigosa — de uma continuidade semântica apenas aparente. Não é o direito que desaparece; é o seu modo de significar que se altera. E, quando isso ocorre, não estamos diante de um simples desvio interpretat
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há 7 dias5 min de leitura
UM REFERENTE, DUAS DESCRIÇÕES: JESUS HISTÓRICO E CRISTO DA FÉ
Pondé e Valdinei sob o crivo — simultaneamente analítico e hermeneuticamente leal — da filosofia da linguagem e da epistemologia da religião “Non ex verbis sed ex rebus est iudicandum.”(Não pelas palavras, mas pelas coisas se deve julgar.) Por Glênio S Guedes (advogado) Há debates que nascem de divergências reais; outros, mais discretamente, de um uso impreciso das palavras — e, com elas, dos próprios critérios de verdade. O par de artigos recentemente publicado na imprensa b
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3 de abr.4 min de leitura
O escândalo não é Erika Hilton — é a falência das nossas categorias
“La diferencia sexual no es sólo un hecho biológico, sino una forma de interpretación cultural.”— Marta Lamas Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há escândalos que nascem de fatos. Outros, mais interessantes, nascem da incapacidade de compreendê-los. Este pertence, sem maiores dúvidas, à segunda espécie. Convém dizer desde logo — não por zelo excessivo, mas por economia de mal-entendidos — que o caso em torno de Erika Hilton não é, em si, extraordinário. Extraordinária é a reaçã
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17 de mar.7 min de leitura
O mundo virou sistema — e Habermas desconfiava disso
Habermas, Luhmann e o nosso presente digital Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há mortes que encerram uma vida. Outras parecem encerrar uma época. Quando desaparecem certos pensadores — desses raros que atravessam décadas discutindo com o seu próprio tempo — não se perde apenas um professor ilustre. Perde-se algo como uma bússola moral da civilização. A morte do filósofo alemão cuja obra acompanhou o século XX e entrou no XXI com notável lucidez tem algo desse efeito. Não é ap
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17 de mar.5 min de leitura
Por que ainda ler Dom Quixote num mundo governado pela IA?
Cervantes na era dos algoritmos: por que ainda precisamos de Dom Quixote “Como dizia minha avó, só duas linhagens há no mundo: as dos que têm e as dos que não têm.” — Dom Quixote , II, 20 Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há épocas em que a humanidade se julga particularmente inteligente. A nossa, naturalmente, é uma delas. Os sinais parecem convincentes. Máquinas escrevem textos, analisam contratos, diagnosticam doenças, recomendam vinhos, sugerem livros, decidem investiment
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16 de mar.4 min de leitura
O Deus do Vinho em Os Lusíadas: as artimanhas de Baco na maior epopeia da língua portuguesa
“Cesse tudo o que a Musa antiga canta,Que outro valor mais alto se alevanta.”— Os Lusíadas, Canto I Por Glênio S Guedes ( advogado ) I — Um deus de taça na mão e sobrancelha franzida Convém começar com uma pequena surpresa literária. Em Os Lusíadas , a maior epopeia da língua portuguesa, repleta de mares bravios, gigantes, ninfas e máquinas do mundo, o grande antagonista da viagem portuguesa não é Marte, deus da guerra, nem Netuno, senhor dos oceanos. É Baco . Sim, o deus do
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15 de mar.4 min de leitura
E se perguntássemos a Camões por que ainda devemos lê-lo?
Uma entrevista impossível com o poeta que viu mais mundo que muitos historiadores. “Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandre e de Trajano A fama das vitórias que tiveram.” — Luís de Camões , Os Lusíadas , Canto I Por Glênio S Guedes ( advogado ) Uma entrevista impossível com Camões Se o leitor me permitir uma pequena indiscrição metodológica, devo confessar que entrevistar poetas mortos exige certos recursos que os manuais
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15 de mar.4 min de leitura
Que tipo de jurista-leitor é você?Viajante, ermitão da torre ou humilde traça de biblioteca?
“A literatura não depende de leitores ideais, mas apenas de leitores suficientemente bons.”— Alberto Manguel Por Glênio S Guedes (advogado) I. Uma pergunta incômoda (e talvez necessária) Todo jurista lê. Pelo menos em teoria. A profissão exige isso. Códigos, leis, regulamentos, acórdãos, pareceres, tratados, súmulas, votos vencidos, votos vencedores, votos que ninguém sabe muito bem de onde vieram. Há papel — físico ou digital — suficiente para alimentar uma pequena floresta.
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15 de mar.6 min de leitura
A jurista que ensinava Direito com poesia
Uma reflexão sobre sensibilidade, linguagem e justiça a partir da obra poética da Professora Beatriz Dutra “Fui acordada por um verso que rugia em mim e urgia nascer.”— Beatriz Dutra Por Glênio S Guedes ( advogado ) À professora Beatriz Dutra, que ensinou Direito com a clareza da razão e poesia com a delicadeza da alma. Com gratidão de um antigo aluno da turma de 1985, em memória das aulas que nos ensinaram que compreender o Direito é, antes de tudo, compreender o humano. 1.
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8 de mar.5 min de leitura
Perguntamos mal porque já chegamos cheios de respostas
“Uma pergunta verdadeira nasce da curiosidade, não da vontade de confirmar uma opinião.”— Elke Wiss, Café com Sócrates Por Glênio S Guedes (advogado) 1. A curiosa abundância de respostas Vivemos uma época curiosa. Nunca se falou tanto e nunca se perguntou tão pouco. As respostas multiplicam-se com uma facilidade quase prodigiosa. Opiniões aparecem a todo instante, prontas, completas, dotadas de uma convicção admirável. Em poucos minutos alguém explica a política internacional
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8 de mar.3 min de leitura
Defesa Nacional Não É Gasto — É Seguro de Existência
Modernizar Agora ou Aprender Pela Derrota no Século da Guerra Algorítmica "Os fortes fazem o que podem; os fracos sofrem o que devem."— Tucídides Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há despesas que aliviam o presente e há investimentos que garantem o futuro. Confundir uma coisa com a outra costuma ser o primeiro passo das nações que, confiantes na própria cordialidade, descobrem tarde demais que o mundo não partilha de seus bons sentimentos. Defesa nacional não é gasto. É seguro
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2 de mar.4 min de leitura
Da captura do orçamento público por interesses privados: por que ninguém mexe com os supersalários?
¨O orçamento público é a biografia material de um país. Se a biografia está sendo escrita por interesses privados, não é só o dinheiro que está em disputa. É o sentido do comum. É a ideia de república. É o pacto de convivência¨ Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há um país oficial — esse de discursos, solenidades e fotografias com bandeira ao fundo — e há um país real, que se revela sem cerimônia no lugar onde a sinceridade costuma morar: o contracheque. No país oficial, todos
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2 de mar.5 min de leitura
O líder é sintoma: o que a permanência de Trump revela sobre nós
“A pergunta não é ‘como ele’. É ‘por que nós’.” Por Glênio S Guedes (advogado) Há um equívoco muito humano — e, por isso mesmo, muito perigoso — em tratar certos líderes como acidentes. A palavra “acidente” serve para consolar: sugere que a coisa aconteceu apesar de nós, que o episódio é externo, que basta esperar o tempo corrigir o desvio e a estrada volta ao seu traçado moral. Mas a política não é meteorologia. Não “cai” um Trump como cai uma chuva. Ele se forma , se adensa
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2 de mar.4 min de leitura
O ECLIPSE DO SER NO DIREITO CONTEMPORÂNEO: DA ATROFIA DA IMAGINAÇÃO À DITADURA DO ALGORITMO
Por Glênio S Guedes (advogado) Vivemos um tempo de perigosa e desoladora secura espiritual no seio da Ciência do Direito. Se é verdade, como ensina o mestre Pinharanda Gomes, que a consciência gnoseológica é o ponto onde o Ser e o Pensar se fundem em saber clarividente, cumpre-nos reconhecer que o jurista moderno tem preferido as sombras do "estar" provisório ao esplendor do "ser" substantivo. O Direito, hoje, padece de um duplo exílio: o da imaginação simbólica , que já não
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28 de fev.3 min de leitura
O pedido da OAB: encerrar não é ceder, é cumprir a Constituição
O inquérito que virou ambiente (do procedimento ao clima institucional) Por Glênio S Guedes ( advogado ) Sete anos já não é “inquérito”: é relacionamento estável. E relacionamento estável com o poder punitivo do Estado deveria exigir, no mínimo, fidelidade à Constituição . Quando a investigação deixa de ser um instrumento com começo, meio e fim — e passa a funcionar como um “ambiente” permanente , com objeto que se expande e horizonte que se dilui — o problema deixa de ser a
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27 de fev.5 min de leitura
DO CRIVO QUÁDRUPLO: QUANDO REALMENTE TEMOS RAZÃO?
"A verdade não é um troféu estático que se guarda na algibeira; é um exercício dinâmico de depuração constante." Por Glênio S Guedes ( advogado ) Em tempos de vertigem informativa, onde a opinião mais gritante tantas vezes sufoca o argumento mais sóbrio, impõe-se ao homem de pensamento uma pergunta fundamental: como posso ter a certeza de que não estou enganado? Como saber se a minha "verdade" é ouro de lei ou mero pechisbeque intelectual? A resposta não reside na arrogância
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26 de fev.3 min de leitura
Quando “Regulate” não é “Tax”: pequena lição de latim constitucional
“The Framers did not vest any part of the taxing power in the Executive Branch.” - trecho da decisão da Suprema Corte dos EUA sobre as tarifas de Trump Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há palavras que parecem inocentes até que alguém lhes exija mais do que podem dar. “Regulate” é uma delas. Palavra respeitável, de tradição administrativa sólida, afeita à disciplina dos fluxos, às molduras normativas, aos ajustes técnicos. O que ela não é — como a Suprema Corte americana agora
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21 de fev.3 min de leitura
Ontologia Vulcânica: Santorini entre o Fogo de Heráclito e a Forma de Aristóteles
“Este cosmos, o mesmo para todos, nenhum dos deuses nem dos homens o fez; mas sempre foi, é e será: fogo eterno, acendendo-se com medida e apagando-se com medida.” — Heráclito Por Glênio S Guedes ( advogado ) Às brumas elegantes da Serra de Petrópolis, aos amigos de Itaipava — onde o vinho encontra altitude, conversa e amizade — dedico estas reflexões sobre o fogo, a forma e o ser. 🍷🌄 Há ilhas que produzem vinho. Santorini produz pensamento. Não se trata apenas de uma pais
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18 de fev.4 min de leitura
A filologia renana e o método de Beatus Rhenanus
Ex vetustis codicibus veritatem eruere conatus sum.(Procurei extrair a verdade dos antigos códices.) — Beatus Rhenanus Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há nomes que o Renascimento consagrou com tintas luminosas — Leonardo, Erasmo, Lutero — e há outros que trabalharam à meia-luz das bibliotecas, inclinados sobre códices gastos pelo tempo. Beatus Rhenanus pertence a esta segunda linhagem: menos ruidosa, mas talvez mais decisiva. Se quisermos compreender a filologia renana, prec
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17 de fev.3 min de leitura
A Alsácia não é só Gewürztraminer: já ouviu falar de Sélestat e de sua Biblioteca Humanista?
Ex vetustis codicibus veritatem eruere conatus sum.(Procurei extrair a verdade dos antigos códices.) — Beatus Rhenanus Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há regiões que o turismo simplifica e há culturas que a pressa empobrece. A Alsácia, para muitos viajantes apressados, resume-se à doçura especiada do Gewürztraminer, às fachadas enxaimel e ao postal outonal de vinhedos disciplinados. Nada há a censurar no vinho — que é nobre e generoso —, mas a civilização não fermenta apenas
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17 de fev.4 min de leitura
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