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A Língua Maltesa é a Autobiografia da Ilha
Como um pequeno povo transformou sua história em linguagem "Os templos megalíticos contam como os malteses começaram. A língua maltesa conta como eles sobreviveram." Por Glênio S Guedes (advogado) Há povos cuja história repousa em monumentos. Outros a conservam em arquivos, crônicas ou epopeias. Malta, pequena em território e vasta em memória, escolheu um caminho mais discreto e talvez mais duradouro: depositou a sua história numa língua. Quem percorre as ruas de Valletta, Md
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há 21 horas7 min de leitura
Gargi e as origens da metafísica indiana
Quando uma mulher interrogou o universo: conhecimento, ser e realidade nas auroras do pensamento védico "Aquilo que está acima do céu, abaixo da terra e entre ambos — em que está tecido?" — Pergunta atribuída a Gargi Vachaknavi no Brihadaranyaka Upanishad Este artigo nasceu, em parte, dos encontros proporcionados pela Feira Internacional do Livro de Bogotá de 2026. À Índia, país convidado de honra da edição, e aos curadores das exposições que revelaram ao público latino-ameri
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há 4 dias5 min de leitura
O Código Hitita e os Vinhos: quando a videira entrou no mundo do Direito
Da oferenda ao contrato: as primeiras normas sobre o vinho há mais de três mil anos “Os homens costumam acreditar que criaram as leis. As videiras talvez contem outra versão da história.” Por Glênio S Guedes (advogado) Introdução Existe uma antiga tendência dos juristas de imaginar que a história do Direito começa onde começam os livros de Direito. Não se trata exatamente de vaidade; trata-se, antes, de uma ilusão de perspectiva. Como os grandes códigos romanos, as compilaçõe
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há 7 dias5 min de leitura
A videira como arquivo da civilização
Uma arqueologia da permanência entre hititas, gregos, romanos, otomanos e turcos “Talvez a história da Anatólia não tenha sido escrita apenas em pedra, argila ou pergaminho. Talvez tenha sido escrita também em cachos.” Por Glênio S Guedes ( advogado) Introdução Os historiadores aprenderam a procurar o passado nos lugares onde ele aparentemente se deixa encontrar. Escavam ruínas, decifram inscrições, consultam arquivos e restauram manuscritos. Entre tabletes de argila, pergami
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há 7 dias7 min de leitura
Museu Nacional de Arqueologia de Malta: nos pequenos frascos estão os grandes perfumes
Como uma pequena ilha aprendeu a contar cinco mil anos de história melhor do que muitos grandes museus europeus Por Glênio S Guedes (advogado) Há museus que exibem objetos. Há museus que exibem poder. Há museus que exibem riqueza. E há museus que exibem inteligência. O Museu Nacional de Arqueologia de Malta pertence a esta última categoria. Instalado em Valletta, no coração de uma ilha cuja dimensão geográfica mal impressiona os mapas escolares, ele oferece ao visitante uma e
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12 de jun.7 min de leitura
Nem toda caverna abriga bárbaros Algumas servem vinho DOC e pecorino artesanal
“Durante séculos fugiram das cavernas. Hoje pagam caro para dormir nelas.” Por Glênio S Guedes (advogado) Há cidades que parecem ter sido construídas para provar o triunfo da civilização sobre a natureza. Outras, mais raras, parecem existir para demonstrar precisamente o contrário: que a inteligência humana, quando menos arrogante, aprende a negociar com a pedra, com o relevo e com o tempo. Matera pertence a esta segunda categoria. Vista de longe, Matera produz um estranhamen
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22 de mai.5 min de leitura
Bhāratavarsha: uma federação de civilizações linguísticas
“Há civilizações construídas em pedra; outras, em palavras.” “Toda língua é também uma maneira de habitar o mundo.” Por Glênio S Guedes (advogado) Durante largo tempo, a modernidade política europeia acostumou-se a pensar a ideia de nação segundo uma fórmula relativamente simples — e perigosamente sedutora: um povo, uma língua, um território, um Estado. A elegância geométrica dessa construção intelectual sempre exerceu certo fascínio sobre burocracias, diplomatas, cartógrafos
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15 de mai.5 min de leitura
A ciência sequestrada
Como a desinformação profissionalizou o charlatanismo digital “Uma mentira repetida mil vezes não se torna verdade; torna-se apenas familiar.” Por Glênio S Guedes (advogado) Houve um tempo em que o charlatão precisava atravessar feiras empoeiradas carregando frascos coloridos, promessas milagrosas e uma eloquência suficientemente convincente para vender elixires contra calvície, melancolia, gota, tristeza amorosa e, em ocasiões mais ambiciosas, contra a própria morte. Era fig
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10 de mai.5 min de leitura
Periergia: quando o estilo começa a devorar o pensamento
Notas sobre prolixidade, asianismo e os velhos excessos da eloquência “A verdadeira eloquência consiste em dizer tudo quanto é necessário, e apenas isso.” — François de La Rochefoucauld Por Glênio S Guedes (advogado) Existe certo tipo de homem que jamais diz “bom dia”. Ele inaugura atmosferas. Sua simples saudação já contém uma solenidade discretamente episcopal, como se o nascer do sol houvesse requerido comissão organizadora, parecer técnico e audiência pública. Não raro, e
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10 de mai.6 min de leitura
Terras raras: uma biblioteca mineral
Por Glênio S Guedes (advogado) Existe certa ironia civilizacional no fato de que a humanidade, depois de construir satélites, inteligência artificial, carros elétricos e sistemas capazes de atravessar oceanos em milésimos digitais, tenha terminado dependente de minerais enterrados discretamente sob argilas, rochas e depósitos quase invisíveis do subsolo planetário. Chamam-se terras raras. Raras, contudo, não apenas por razões geológicas - na verdade, são mais dispersas que ra
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9 de mai.4 min de leitura
Castelos — quando o Direito ainda era pedra e papel (e Almourol, sua melhor síntese)
“Antes de haver códigos, havia muros; antes de artigos, ameias — e ambas as coisas, diga-se, continuam a cumprir função semelhante.” Por Glênio S Guedes (advogado) Não foi o Direito que inventou o território — foi o território que, com uma paciência quase pedagógica, obrigou o Direito a nascer. E, numa época em que o papel ainda era artigo de luxo e a tinta mais rara que a prudência, a norma resolveu erguer-se em pedra. Chamaram-lhe castelo. Não por acaso: é difícil desobedec
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22 de abr.4 min de leitura
Soft Power versus Hard Power: não é implausível que Washington tenha mencionado Avignon…
Por Glênio S Guedes (advogado) Tenho claro, em minha mente, a força divina ou mágica das palavras, que podem ser usadas para o bem ou para o mal. Muitas delas há que, pela inocência aparente, fariam boa figura num compêndio escolar; mas, postas em certa mesa e em certo minuto, adquirem a natureza de uma lâmina fina: não precisam brilhar, basta que cortem. Avignon é dessas. Quem a pronuncia, em contexto diplomático, não convoca apenas uma cidade do sul da França; convoca um p
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19 de abr.6 min de leitura
Entre o trono e o espelho: o Papa que não temeu Trump em tempos de embolia cognitiva
Há momentos em que o silêncio é prudência; outros, em que é cumplicidade... Por Glênio S Guedes (advogado) Há figuras históricas que não se explicam por seus gestos isolados, mas pelo contraste que produzem. É nesse contraste — quase dramático — que se insere o recente embate entre o Papa Leão XIV e Donald Trump. De um lado, o poder que fala alto. De outro, a autoridade que sabe quando falar. Durante meses, Leão XIV preservou a tradição diplomática da Igreja: prudência, reser
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18 de abr.5 min de leitura
Depois da morte de Deus: o que resta ao pensamento?
Por Glênio S Guedes ( advogado ) Houve um tempo em que a questão fundamental do pensamento era Deus. Hoje, a questão parece resolvida — ou, ao menos, abandonada. Deus não mais organiza o mundo, não mais fundamenta a moral, não mais estrutura o sentido. A sua ausência tornou-se, para muitos, um dado evidente, quase trivial. Mas essa evidência talvez seja apressada. Pois a morte de Deus, longe de encerrar um problema, inaugura outro — mais silencioso, mais difuso, e talvez mais
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15 de abr.4 min de leitura
Diálogos no Googleplex: A Razão Clássica e o Escrutínio da Modernidade Tecnológica
Por Glênio S Guedes ( advogado ) Por um artifício da erudição ficcional e da perspicácia filosófica, a eminente pensadora americana Rebecca Goldstein — intelectual nascida em Nova York, agraciada com a Medalha Nacional de Humanidades na Casa Branca e que, aos 76 anos, consolida-se como uma das vozes mais prementes da contemporaneidade — logrou o formidável feito de transpor a venerável figura de Platão das poeirentas e ensolaradas calçadas de Atenas para os reluzentes e assé
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11 de abr.4 min de leitura
Brasil e o estado de exceção: a desertificação do sentido e a ascensão da absurdidade semântico-pragmática
“Quando o direito já não distingue, a linguagem já não descreve — apenas legitima.” Por Glênio S Guedes (advogado) Há momentos na história das instituições em que a crise não se apresenta sob a forma estridente da ruptura, mas sob a aparência serena — e por isso mesmo mais perigosa — de uma continuidade semântica apenas aparente. Não é o direito que desaparece; é o seu modo de significar que se altera. E, quando isso ocorre, não estamos diante de um simples desvio interpretat
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4 de abr.5 min de leitura
UM REFERENTE, DUAS DESCRIÇÕES: JESUS HISTÓRICO E CRISTO DA FÉ
Pondé e Valdinei sob o crivo — simultaneamente analítico e hermeneuticamente leal — da filosofia da linguagem e da epistemologia da religião “Non ex verbis sed ex rebus est iudicandum.”(Não pelas palavras, mas pelas coisas se deve julgar.) Por Glênio S Guedes (advogado) Há debates que nascem de divergências reais; outros, mais discretamente, de um uso impreciso das palavras — e, com elas, dos próprios critérios de verdade. O par de artigos recentemente publicado na imprensa b
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3 de abr.4 min de leitura
O escândalo não é Erika Hilton — é a falência das nossas categorias
“La diferencia sexual no es sólo un hecho biológico, sino una forma de interpretación cultural.”— Marta Lamas Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há escândalos que nascem de fatos. Outros, mais interessantes, nascem da incapacidade de compreendê-los. Este pertence, sem maiores dúvidas, à segunda espécie. Convém dizer desde logo — não por zelo excessivo, mas por economia de mal-entendidos — que o caso em torno de Erika Hilton não é, em si, extraordinário. Extraordinária é a reaçã
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17 de mar.7 min de leitura
O mundo virou sistema — e Habermas desconfiava disso
Habermas, Luhmann e o nosso presente digital Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há mortes que encerram uma vida. Outras parecem encerrar uma época. Quando desaparecem certos pensadores — desses raros que atravessam décadas discutindo com o seu próprio tempo — não se perde apenas um professor ilustre. Perde-se algo como uma bússola moral da civilização. A morte do filósofo alemão cuja obra acompanhou o século XX e entrou no XXI com notável lucidez tem algo desse efeito. Não é ap
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17 de mar.5 min de leitura
Por que ainda ler Dom Quixote num mundo governado pela IA?
Cervantes na era dos algoritmos: por que ainda precisamos de Dom Quixote “Como dizia minha avó, só duas linhagens há no mundo: as dos que têm e as dos que não têm.” — Dom Quixote , II, 20 Por Glênio S Guedes ( advogado ) Há épocas em que a humanidade se julga particularmente inteligente. A nossa, naturalmente, é uma delas. Os sinais parecem convincentes. Máquinas escrevem textos, analisam contratos, diagnosticam doenças, recomendam vinhos, sugerem livros, decidem investiment
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16 de mar.4 min de leitura
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